Semana passada falei da questão dos pratos quentes para servimos nossa salada em alguns restaurantes do tipo bufê (por quilo ou por pessoa) e acho que este é o ensejo necessário para ir mais fundo nesta questão e discutir sobre os problemas desta forma de serviço. Eu, particularmente, não gosto de muitos desses restaurantes.

Alguns têm ótima comida, bem preparada, mas é realmente difícil, para mim, sair de um restaurante desses realmente satisfeito. Conto nos dedos àqueles que conseguiram isso.

A verdade é que há várias razões para este meu sentimento. Muitos dos problemas deste tipo de serviço foram muito bem lembrados pelo Luiz Américo em seu blog, tempos atrás. Transcrevo:

“É evidente que um restaurante que trabalha com bufê tem suas limitações. Os pratos estão lá, expostos, prontos, aquecidos, com todos as desvantagens que isso pode gerar numa comparação com uma receita feita à minuta. Alguns ressecam, outros amolecem e aí vai. Anthony Bourdain costuma dizer que comida de bufê é comida morrendo a olhos vistos. Exageros à parte, quem trabalha com o sistema precisa ser cuidadoso e, mais ainda, sábio. Deve montar seu cardápio tendo conhecimento do que funciona, do que não dá certo(…)”

Há também vários outros tipos de problemas com este tipo de serviço:

  • A apresentação dos pratos fica prejudicada. Poucos restaurantes conseguem apresentá-los com estilo, de forma a aguçar nossa “libido” apenas pelo visual dos pratos.
  • A maioria aposta em uma variedade grande de comidas. Isso faz com que, em minha opinião, seja muito difícil comer nesse tipo de restaurante. Não é difícil se perder na variedade de pratos e na vontade de experimentar várias coisas, transformando sua refeição em um verdadeiro samba-do-crioulo-doido! É feijoada com espaguete com peixe com salada e ai vai… Urgg! Isso dá uma baita indigestão! Escolher e harmonizar o que comer não é tarefa fácil. Não acham?
  • Imagina também aquela comida ali toda exposta, com gente conversando enquanto se serve, de mãos sujas… Acho que a assepsia das comidas fica um pouco prejudicada.
  • É também difícil imaginar que um restaurante que faz 50 pratos diferentes (falando bem por baixo, tem uns que tem bem mais que isso) consiga executá-los, todos, da melhor forma. Consiga dedicar o mínimo de cuidado e presteza na elaboração dessas queridas comidinhas. Alguns conseguem se safar desse problema, em uma execução bem feita, com bom resultado, mas muitos escorregam feio nesse ponto.
  • Aqui no centro do Rio de Janeiro, onde almoço todos os dias, tem ainda o problema da lotação das casas. São filas grandes para se servir e depois para pagar a conta. É uma batalha conseguir um lugar… Uma mesa privativa para você ou sua companhia, quase nunca é possível. E o pior, o garçom fica te encarando como quem diz “Hey, vai logo com isso que precisamos desse lugar para outra pessoa!”. Tanto é assim que basta dar a mínima demonstração de que acabou de comer para ter o prato rapidamente retirado da mesa. Fica faltando só o convite para se levantar! Hehe… Dia desses, querendo me servir novamente na pista, pedi ao garçom que mantivesse minha bebida sem ser retirada e que não cedesse o meu lugar. Quando voltei estava sem bebida e sem mesa. E duro que eu sabia que aquilo não ia dar certo…

Mas bem amigos, claro que há os bons do ramo. A nós, que invariavelmente temos que “enfrentá-los”, cabe selecioná-los e nos mantermos fiéis.

E você, concorda comigo?

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